Por: Helciane Angélica - jornalista/CPT-AL
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14ª Feira Camponesa inicia nesta quinta-feira
Marcadores: camponesa, CPT/Alagoas, feira, Reforma agrária 0 comentáriosO projeto conta com o apoio do Governo de Alagoas e Banco do Nordeste. Acontece sempre nos meses de junho e outubro, também, existe o formato itinerante nos bairros com um número menor de barracas
Por: Helciane Angélica - jornalista/CPT-AL
Nas primeiras horas desta quinta-feira (09.11), a Praça Afrânio Jorge conhecida por Praça da Faculdade localizada no bairro do Prado, ganhará os ares do campo e divulgará as tradições nordestinas em plena capital alagoana. Há oito anos, o lema “plantar, colher e repartir” é difundido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT-AL) na Feira Camponesa que destaca a importância da reforma agrária. Nos dias 09 a 11 de junho acontecerá a 14ª edição do evento com o apoio do Banco do Nordeste e Governo de Alagoas.
A cerimônia de abertura da 14ª Feira Camponesa iniciará às 8h, com a benção dos alimentos realizada pelo Padre Rogério Madeiro – o Coordenador das Pastorais Sociais na Arquidiocese de Maceió – em seguida, as autoridades presentes farão seus pronunciamentos e terá um café camponês. Às 19h, será exibido o documentário “A Bota Velha é nossa” que relata a trajetória de luta e resistência das 102 famílias camponesas que vivem e trabalham há 10 anos no acampamento Bota Velha em Murici, e estão sendo ameaçadas de despejo.
Cerca de 200 toneladas de alimentos sem agrotóxicos serão comercializados, dentre eles: macaxeira, inhame, banana, limão, laranja, abacaxi, melancia, abóbora, mamão, batata, hortaliças, feijão, fava, milho e outros. Também terá a venda de animais, mel do sertão, doces, pé de moleque, tapioca, goma de massa puba, farinha d´água, artesanato e até o bingo de um carneiro.
De acordo com Heloísa Amaral, Engenheira Agrônoma e coordenadora da equipe técnica que acompanha os camponeses, essa atividade é um momento importante para divulgar a luta pela vida digna no campo e valorizar o trabalho desenvolvido nos assentamentos rurais e acampamentos sem terra. “Na feira, a dona de casa, gestores e trabalhadores dos mais diversos segmentos têm a oportunidade de conversar com os feirantes, que são os próprios produtores, sobre a realidade vivida, além de ver de perto a qualidade e a variedade agrícola. Também eliminamos a presença do atravessador, que geralmente explora o povo camponês e comercializa os produtos bem mais caro”, destacou.
Nesta edição, estarão presentes representantes de 20 áreas da reforma agrária – sendo sete ligados a outros movimentos do campo – oriundos da litoral norte, zona da mata e sertão. Os assentamentos são: Padre Alexander Cauchi e Irmã Dorothy Stang (Porto de Pedras); Jubileu 2000 e Quilombo dos Palmares (São Miguel dos Milagres); Javari, Margarida Alves II e Samba (Maragogi); Eldorado dos Carajás, Nova Esperança, Zumbi dos Palmares e Pacas (Branquinha); Pimentas e Rio Bonito (Flexeiras); Dom Helder Câmara (Murici); Santa Maria Madalena e Padre Emílio April (União dos Palmares); Nossa Senhora da Conceição, Todos os Santos e Padre Cícero (Água Branca). E o acampamento Virgem dos Pobres localizado em Major Isidoro.
No local, serão instaladas 95 barracas padronizadas, casa de farinha, restaurante camponês, banheiros químicos e um palco para atrações culturais todas as noites. A Feira Camponesa inicia os festejos juninos em Maceió, com a apresentação do Trio de Forró Nó Cego, Pinóquio do Acordeon e Assum Preto, e Joelson dos Oito Baixos. Aberto ao público!
SERVIÇO
O que: 14ª Feira Camponesa
Dias: 9 a 11 de junho de 2011 (quinta a sábado)
Local: Praça Afrânio Jorge (Praça da Faculdade) em Maceió
Horário: 6h às 23h (quinta e sexta-feira) e no sábado até às 14h.
Realização: Comissão Pastoral da Terra de Alagoas
Apoio: Governo de Alagoas e Banco do Nordeste
Josival Oliveira @blogdojosival às 20:35
A respeito da “PASSEATA DOS CARAS PINTADAS”
Marcadores: Alagoas, caras pintadas, CPT/Alagoas, cut, governador, governo, Greve, manifestação, manifesto, MLST, movimentos, MST, MTL, sindicato, sociais 0 comentáriosFoi top nas redes sociais e correios eletrônicos em todo Estado o chamado para a passeata. Com um tom mobilizador e apelativo ela têm como alvo principal, o pedido de impeachment do governador Teotônio Vilela Filho.
Esta semana, como um vírus digital, um e-mail chamado de "PASSEATA DOS CARAS PINTADAS", foi o assunto comentado em toda Alagoas. Sem ter nenhuma assinatura, responsáveis e nem entidades classistas que tenha assumido o prelúdio documento para a tal mobilização, até o momento o texto que roda na internet, nos bastidores da política e nas ruas, é desconhecida a sua origem.
O manifesto trás no seu conteúdo uma verdadeira avalanche de denuncias e posições políticas confusas e contraditórias para alguém que realmente quer mobilizar pessoas para uma manifestação. Obviamente que o direito de protestar é dado a todos perante o regime democrático ao qual fazemos parte, entretanto, é complicado, espalhar de forma anônima um texto, fazendo análise – mesmo que muito vazia – e convocando o povo para tomar conta das ruas e nem se quer dizer ou assumir tal convocação. Anônimo não é ninguém.
Em conversa com um dos representantes do movimento unificado da greve dos servidores estadual e representante da CUT/Alagoas, Lenilda Lima, afirma para o blogdojosival, que não existe nenhuma deliberação ou articulação para tal mobilização e divulgação de documento. Para a sindicalista, a proposta espalhada na internet só atrapalha as negociações dos sindicatos com o governo estadual.
Para o secretário do gabinete Civil, Álvaro Machado, o chamado – obscuro - para o impeachment do governador Téo, “é uma tentativa despolitizada de desestabilizar um governo que foi reeleito pelo povo para seu segundo mandato”. Segundo Machado, ele teria conversado com o presidente da CUT (Isaac Jackson), que afirma que essa manifestação proposta à sociedade não tem nenhum incentivo e/ou participação da Central Única dos trabalhadores. Quem será então?
Consultados também pelo blog, os movimentos de luta pela terra em Alagoas (CPT, MTL, MST e MLST) afirmam não terem tido nenhuma conversa ou convocação para discussão do ato da sexta feira e que não terá a participação de nenhuma das organizações campesinas.
Não coloquei neste Post, o referido manifesto, como não se sabe de fato quem é o comando da manifestação, acho prudente não mostrar aqui, o documento divulgado. Porém, deixo aqui, perguntas que pairam no ar, sobre algumas questões do manifesto, eles afirmam ter “uns brinquedinhos” para serem utilizados e distribuídos entre todos os presentes no ato de impeachment do governador, então, fica abaixo as indagações.
1. Quem é os “caras pintadas de Alagoas”?
2. A respeito das 7.652 latinhas de tintas, a serem utilizadas no protesto, quem esta pagando?
3. Os 5.899 narizes de palhaços e os 8.500 apitos, a serem distribuídos aos manifestantes, quem pagou por eles?
4. O trio elétrico e os três carros de som confirmados para o ato, quem contratou o serviço?
Não é novidade a crise e o difícil entendimento dos servidores público estadual e suas demandas com o governador Téo Vilela – a briga é desde o inicio do mandato - a crescente e assustadora onda de violência em todo Estado. Semana passada, assistimos perplexo a perca de controle do comando unificado da greve e os oportunistas de plantão que ocasionaram um verdadeiro quebra-quebra no prédio da Secretaria da Fazenda estadual, bombas sendo jogadas no quartel da Policia Militar e as ameaças feitas a cidadãos comuns que reclamavam do fechamento das principais ruas da Capital. O clima esquentou.
Se a proposta da mobilização retrata as dificuldades enfrentadas pelos diversos setores do governo, porque que os sindicatos e a CUT não foram chamados? É de estranhar uma mobilização que não apareça às lideranças envolvidas, é de uma tamanha irresponsabilidade promover atos que já em seu teor chamativo, traga nas entre linhas um sentimento de raiva capaz de gerar em algum momento situações de violência.
A nossa democracia - como disse anteriormente – nos permite reivindicar direitos, mais, é preciso primeiro, mostrar quem somos de onde viemos e o que queremos. Subjetividade e obscuridade nunca foram pertinentes para a negociação e entendimentos políticos. Nem tão pouco resolverá á toque de caixa, todos os problemas do Estado de Alagoas.
Josival Oliveira @blogdojosival às 18:53
Carta da 21ª Assembleia da CPT/AL
Marcadores: CPT/Alagoas 0 comentários
“A riqueza de uma nação não se mede por critérios quantitativos, mas pelo bem-estar do seu povo” (Papa Pio XII)
Somos gente do campo vinda do sertão, da mata, agreste e litoral, convocados pela Comissão Pastoral da Terra de Alagoas para participar da 21ª Assembleia Estadual e aprofundar o tema “Campesinato: Cooperação e Solidariedade”.
Vivemos em um estado tomado pelo monocultivo da cana de açúcar que explora os canavieiros, concentra a terra e impõe o seu modelo excludente à maioria da população alagoana. Somos a resistência campesina e representamos o sinal de esperança no campo. Em nossas mãos calejadas temos 11% da terra, enquanto o agronegócio com sua prática de desmatamento e expulsão das famílias detém 62% voltada exclusivamente para exportação, produzimos 97% do arroz, 92% do feijão, 88% da mandioca; 92% do milho; 60% dos ovos; 100% do horti-fruti e 52% do leite produzido no Estado de Alagoas. Somos um povo de luta e trabalhador!
Mesmo sendo grandes produtores, não contamos com o apoio dos Governos, que dificultam a aquisição dos créditos e não investem na infra-estrutura necessária para os assentamentos. É precária a situação das nossas estradas e isso impossibilita o escoamento da produção, atrapalha na educação das nossas crianças e no acesso aos postos de saúde que muitas vezes ficam a vários quilômetros de distância.
Com a luta em defesa da reforma agrária aprendemos que temos que edificar um projeto popular camponês, independente do processo eleitoral, o nosso compromisso é modificar as estruturas injustas do campo e continuar construindo espaços de aprofundamento do modelo que queremos e no fortalecimento da nossa organização. As eleições têm a sua importância e não iremos ignorar, apesar de que os possíveis palanques a serem montados, nos quais as oligarquias e o coronelato têm lugar de destaque, confundem a população e não apontam para mudanças estruturais.
Assumimos como nossa, a luta das 28 famílias acampadas na fazenda Boa Esperança em Major Isidoro que estão sendo intimidadas pelo deputado federal Benedito de Lira e seu filho, o deputado estadual Arthur Lira, ambos do PP-AL. As ameaças de expulsão são constantes, mas a fazenda encontrava-se abandonada há mais de 10 anos, é devedora do Banco do Nordeste e completamente improdutiva. O mais grave dessa situação é que as famílias entraram no imóvel a pedido do proprietário.
Além disso, a decisão injusta do juiz Ayrton Tenório, titular da vara Agrária, em conceder a reintegração de posse ao proprietário, beneficiou o latifúndio improdutivo e não observou a situação das famílias que estão acampadas há quase dois anos e vivem exclusivamente da roça e da criação de animais. O clima ficou ainda mais tenso no imóvel, e por isso, sentimo-nos chamados para ser solidários com essas famílias e seremos.
Em comunhão com o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC) iremos contribuir com a campanha da fraternidade ecumênica que discute uma economia a serviço da vida, negando o lucro do capital e fortalecendo a economia local e solidária, além da realização de um plebiscito que debaterá e consultará a sociedade a respeito do limite da propriedade da terra, que no caso do Brasil é a segunda mais concentrada do mundo.
Vamos intensificar as realizações das feiras camponesas e fundar a nossa cooperativa, que chamaremos de “Terra Mãe”, para potencializar a nossa produção agroecológica e garantir o fortalecimento da comercialização dos nossos produtos. Também vamos priorizar a formação da juventude e dos nossos militantes com o objetivo de construir a nossa autonomia.
Saímos desta assembléia conscientes que temos que aumentar a nossa cooperação e sermos, ainda mais solidários com as pessoas e com suas lutas. Apoiaremos as iniciativas coletivas e colaboraremos com as organizações que se empenham no mutirão de uma terra sem males.
Barra de São Miguel, 04 de março de 2010.
Somos gente do campo vinda do sertão, da mata, agreste e litoral, convocados pela Comissão Pastoral da Terra de Alagoas para participar da 21ª Assembleia Estadual e aprofundar o tema “Campesinato: Cooperação e Solidariedade”.
Vivemos em um estado tomado pelo monocultivo da cana de açúcar que explora os canavieiros, concentra a terra e impõe o seu modelo excludente à maioria da população alagoana. Somos a resistência campesina e representamos o sinal de esperança no campo. Em nossas mãos calejadas temos 11% da terra, enquanto o agronegócio com sua prática de desmatamento e expulsão das famílias detém 62% voltada exclusivamente para exportação, produzimos 97% do arroz, 92% do feijão, 88% da mandioca; 92% do milho; 60% dos ovos; 100% do horti-fruti e 52% do leite produzido no Estado de Alagoas. Somos um povo de luta e trabalhador!
Mesmo sendo grandes produtores, não contamos com o apoio dos Governos, que dificultam a aquisição dos créditos e não investem na infra-estrutura necessária para os assentamentos. É precária a situação das nossas estradas e isso impossibilita o escoamento da produção, atrapalha na educação das nossas crianças e no acesso aos postos de saúde que muitas vezes ficam a vários quilômetros de distância.
Com a luta em defesa da reforma agrária aprendemos que temos que edificar um projeto popular camponês, independente do processo eleitoral, o nosso compromisso é modificar as estruturas injustas do campo e continuar construindo espaços de aprofundamento do modelo que queremos e no fortalecimento da nossa organização. As eleições têm a sua importância e não iremos ignorar, apesar de que os possíveis palanques a serem montados, nos quais as oligarquias e o coronelato têm lugar de destaque, confundem a população e não apontam para mudanças estruturais.
Assumimos como nossa, a luta das 28 famílias acampadas na fazenda Boa Esperança em Major Isidoro que estão sendo intimidadas pelo deputado federal Benedito de Lira e seu filho, o deputado estadual Arthur Lira, ambos do PP-AL. As ameaças de expulsão são constantes, mas a fazenda encontrava-se abandonada há mais de 10 anos, é devedora do Banco do Nordeste e completamente improdutiva. O mais grave dessa situação é que as famílias entraram no imóvel a pedido do proprietário.
Além disso, a decisão injusta do juiz Ayrton Tenório, titular da vara Agrária, em conceder a reintegração de posse ao proprietário, beneficiou o latifúndio improdutivo e não observou a situação das famílias que estão acampadas há quase dois anos e vivem exclusivamente da roça e da criação de animais. O clima ficou ainda mais tenso no imóvel, e por isso, sentimo-nos chamados para ser solidários com essas famílias e seremos.
Em comunhão com o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC) iremos contribuir com a campanha da fraternidade ecumênica que discute uma economia a serviço da vida, negando o lucro do capital e fortalecendo a economia local e solidária, além da realização de um plebiscito que debaterá e consultará a sociedade a respeito do limite da propriedade da terra, que no caso do Brasil é a segunda mais concentrada do mundo.
Vamos intensificar as realizações das feiras camponesas e fundar a nossa cooperativa, que chamaremos de “Terra Mãe”, para potencializar a nossa produção agroecológica e garantir o fortalecimento da comercialização dos nossos produtos. Também vamos priorizar a formação da juventude e dos nossos militantes com o objetivo de construir a nossa autonomia.
Saímos desta assembléia conscientes que temos que aumentar a nossa cooperação e sermos, ainda mais solidários com as pessoas e com suas lutas. Apoiaremos as iniciativas coletivas e colaboraremos com as organizações que se empenham no mutirão de uma terra sem males.
Barra de São Miguel, 04 de março de 2010.
Josival Oliveira @blogdojosival às 07:55
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